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Reforma da fachada

Valor de apartamentos em prédio triplicou após modernização

A aparência de um condomínio muito diz sobre a forma como ele é conservado ao longo dos anos. Tanto que é capaz até de influenciar no valor das unidades. “O mercado está percebendo que o tratamento das fachadas é importante não apenas pela harmonia, pelo aspecto estrutural e construtivo, mas também para promover alguns benefícios para o próprio edifício”, afirma o vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea), Fernando Pinheiro. A entidade promove a partir de amanhã um fórum com o objetivo de discutir o assunto.

A valorização dos apartamentos como decorrência de recuperação de fachada foi o resultado, por exemplo, verificado nos três edifícios do condomínio Jardim América, na Rua da Consolação, nos Jardins, zona sul, que passou por um retrofit. “Antes tinha apartamento à venda por R$ 80 mil e ainda não encontrava quem quisesse comprar. Hoje, tem quem compre a R$ 220 mil à vista”, afirma a síndica Ofélia Rocha Castro.

Há cinco anos, o aspecto do condomínio era completamente deteriorado. “A fachada era feia, suja e toda estragada. A gente ouvia as pessoas na rua chamarem o nosso prédio de gaiola”, recorda. “Não tinha cara de residencial.”

Isso porque, além da má conservação, as janelas era divididas externamente ao meio por placas de concreto - uma solução de engenharia encontrada na época da construção, há 36 anos, para barrar o vento. “Nós ficamos numa região alta, e este foi um dos primeiros prédios acima de 20 andares construídos por aqui”, explica.

A alternativa, no entanto, prejudicava a estética do prédio. Assim, quem olhava o edifício por fora, formava uma idéia errada de como ele era a distribuição por dentro. “O pessoal não imaginava o tamanho dos apartamentos (de dois e três quartos). Olhava e achava que era de um quarto ou quitinete”, diz Ofélia.

Ela explica que as unidades são bastante amplas e contam com salas de 8 m comprimento por 4 m de largura. E há blocos com uma unidade por andar. “É difícil encontrar um apartamento desse tamanho.”

Para modernizar o visual do prédio, em primeiro lugar, foram retiradas todas as placas externas que dividiam as janelas, o que tornou a aparência geral mais limpa e despoluída.

Depois, toda a fachada, que tinha acabamento em concreto já bastante escurecido, foi pintada com cores mais claras, o que deu ao condomínio um caráter residencial.

APROVAÇÃO

Uma obra grande como esta obviamente custou mais do que se fosse apenas de manutenção. Na época, o orçamento ficou em torno de R$ 800 mil - uma despesa extra que foi rateada entre os proprietários. Além disso, o trabalho durou três anos.

Mesmo sabendo disso, o condomínio não enfrentou dificuldades para conseguir a aprovação dos moradores em assembléia para o início das obras. “Foi aprovado por unanimidade; todo mundo queria porque não tinha mais condições de morar aqui daquele jeito”, diz Ofélia.

Durante a reforma, segundo a síndica, os moradores foram compreensivos com o incômodo do barulho e da sujeira. “São problemas de toda obra, mas o pessoal colaborou muito. Ninguém achou ruim.”

A mudança acabou valorizando também as outras áreas comuns do condomínio. “Temos uma área maravilhosa com jardim e plantas criado pelo paisagista Burle Marx.”

Entretanto, mesmo após a reforma da fachada, o trabalho da síndica não pára: “Agora estamos trocando os elevadores”, diz.

SECOVI - PR


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